O Beefeater tem fama de gin “básico”, aquele que todo bar tem na prateleira de trás. O rótulo brasileiro conta outra história: 47% de álcool, mais que boa parte dos gins vendidos aqui. E neste mês, entre os cinco que comparamos, foi a dose mais barata. Para nós, vale, e com folga, para quem quer gin-tônica clássica. O cuidado está na mão de quem serve.
| Tipo | London Dry Gin |
|---|---|
| Onde é feito | Londres, Inglaterra |
| Teor | 47% (garrafa vendida no Brasil) |
| Garrafa | 750 ml, 15 doses de 50 ml |
| Botânicos | nove, todos nomeados pela marca |
| Receita | de 1863 |
| Gim-tônica da marca | uma parte de gin para duas ou três de tônica, com limão e laranja |
A receita que a marca abre inteira
Quase nenhuma marca de gin conta tudo o que vai dentro. A Beefeater conta. São nove botânicos (as plantas, sementes e cascas que perfumam o álcool): zimbro, semente de coentro, casca de limão, casca de laranja de Sevilha, amêndoa, raiz de íris, alcaçuz, semente de angélica e raiz de angélica.
Eles passam 24 horas de molho no álcool antes de ir para o alambique. É o jeito mais antigo de fazer gin, e ainda o mais comum.
Lendo a lista, dá para prever o copo. O zimbro, aquela frutinha de cheiro de pinho que todo gin precisa ter, vem na frente. Logo atrás, duas cascas cítricas: limão e laranja de Sevilha, uma laranja mais amarga que a de suco. A angélica costuma responder pelo lado mais seco. Nada de flor, nada de pepino, nada de chá.
É o perfil que a maioria das pessoas tem na cabeça quando pensa em gin-tônica.
Londres de verdade
As duas palavras do rótulo não dão endereço. Elas contam como o gin foi feito: o sabor sai todo do alambique, sem aroma nem corante acrescentados depois, e quase sem açúcar. Gin feito na Escócia ou na Espanha pode ser London Dry.
O Beefeater é London Dry e, além disso, é de Londres mesmo. A destilação acontece na cidade, coisa rara hoje. A receita é de 1863, de James Burrough.
Isso muda o sabor? Não. Endereço não põe nada no copo. Mas ajuda a entender por que a marca é tão conhecida, e por que o nome aparece em tanto cardápio de bar.
A conta ao lado do Bombay
Entre os cinco gins da nossa comparação, o Beefeater e o Bombay Sapphire ficaram praticamente empatados na dose, com diferença de centavos. O Tanqueray veio logo acima, coisa de um décimo a mais. Hendrick's e Roku, os dois contemporâneos, ficaram perto do dobro.
Com dose empatada, a escolha entre Beefeater e Bombay sai do preço e vai para outros dois pontos.
O primeiro é o método. No Bombay, os botânicos não ficam de molho: ficam num cesto, e é o vapor do álcool que passa por eles. No Beefeater, ficam no álcool, um dia inteiro. São caminhos diferentes para chegar ao aroma.
O segundo é o teor. O Bombay vendido aqui tem 40%. O Beefeater, 47%. E esse é o ponto que pede mais atenção de quem compra.
47% no copo
Sete pontos de diferença parecem pouco no rótulo. No copo, não são. A mesma dose de 50 ml do Beefeater leva mais álcool que a do Bombay. A gin-tônica sai mais forte se a receita for a mesma.
A própria marca resolve isso na proporção que publica: uma parte de gin para duas ou três de tônica. Com 47%, a gente iria de três. Na proporção de um para dois, o copo fica bem mais forte do que fica com um gin de 40%.
Um aviso para quem lê receita em site de fora: a Beefeater vende o mesmo London Dry com 40% e com 44% em outros países. Receita pensada para outra garrafa pode não servir para a sua. Na dúvida, o rótulo da garrafa que está na sua mão é o que vale.
E teor alto não é bônus. Ninguém deveria escolher gin pela quantidade de álcool que ele põe no copo. Use dosador, mantenha a dose de 50 ml e ajuste com tônica e gelo.
O que o rótulo não resolve
A marca abre a lista de botânicos, mas não diz as proporções. Não dá para saber se o limão pesa mais que a laranja, nem quanto zimbro vai em cada lote. É o normal no gin.
Também não há, na página da marca, uma descrição detalhada de aroma como as que o Tanqueray e o Roku publicam. Quem compra pelo perfil vai ter que confiar na lista de ingredientes. Nesse caso, ela é um bom guia.
Na hora de comprar
O anúncio que encontramos neste mês era vendido e entregue pela própria loja. O título e o preço eram de uma garrafa de 750 ml. Mas o endereço da página fala em “kit com 2”. Antes de fechar, confira no carrinho quantas garrafas está levando. Se forem duas, a conta da dose muda.
Atenção também ao nome. Beefeater Pink é outro gin, de morango. Beefeater 24 é outra receita. E a linha Botanics tem teor bem mais baixo. O desta página é o London Dry.
Não vale se
Você quer um gin que surpreenda. O Beefeater faz o clássico. Para flor e pepino, o caminho é o Hendrick's; para chá e cítrico japonês, o Roku.
Você prefere drink mais leve no álcool e não quer pensar na proporção. O Bombay, com 40%, custa a mesma dose e perdoa mais a mão pesada.
Você vai usar tônica de fruta ou de flor. Aí o gin some, e qualquer London Dry da lista faz o mesmo papel. Nesse caso, o Beefeater continua uma boa conta, mas o motivo de escolher pela receita desaparece.
Vale se
Você quer a gin-tônica clássica pela menor dose. É exatamente para isso que ele serve.
Você gosta de cítrico no copo. Limão e laranja estão na receita, não só na guarnição.
Você gosta de saber o que bebe. Nove botânicos, todos com nome.
Você serve muita gente. Garrafa de 750 ml, dose baixa, perfil que agrada quem não costuma tomar gin.
Nosso conselho: leve, compre um dosador junto e siga a proporção de três partes de tônica. Rodela de limão e outra de laranja no copo, como a marca sugere. É uma gin-tônica bem feita, sem pagar a mais por nada que o gelo vai esconder.
