BeefeaterR$ 5,19 a dose
Bombay SapphireR$ 5,22 a dose
TanquerayR$ 5,80 a dose
Hendrick'sR$ 9,91 a dose
RokuR$ 11,42 a dose
Gin: três no mesmo degrau, dois no andar de cima
Gin para gin-tônica: quanto custa cada dose, e o que ela entrega?
A conta, dose por dose
volume da garrafa ÷ 50 ml = doses
preço da garrafa ÷ doses = a dose
Vale o Custo · balcãooutubro de 2026
- Beefeater London DryR$ 5,19750 ml ÷ 50 ml = 15 doses · R$ 77,90 ÷ 15
- Bombay SapphireR$ 5,22750 ml ÷ 50 ml = 15 doses · R$ 78,33 ÷ 15
- Tanqueray London DryR$ 5,80750 ml ÷ 50 ml = 15 doses · R$ 86,98 ÷ 15
- Hendrick'sR$ 9,91750 ml ÷ 50 ml = 15 doses · R$ 148,64 ÷ 15
- Roku GinR$ 11,42700 ml ÷ 50 ml = 14 doses · R$ 159,85 ÷ 14
Preços vistos em 17/10, os cinco vendidos e entregues pela Amazon.com.br. Da dose mais barata à mais cara, 2,2 vezes o preço.
A leitura
Resposta curta: neste mês, Beefeater, Bombay Sapphire e Tanqueray custam quase a mesma coisa por dose. Hendrick's e Roku custam por volta do dobro. A pergunta desta página é uma só: o que esse dobro põe no copo, e em que copo ele desaparece.
A escolha, antes da explicação
- A dose mais barata, com gin “de verdade”: Beefeater. É London Dry, feito em Londres, com os nove botânicos nomeados pela marca.
- O mesmo preço, com menos álcool: Bombay Sapphire. A garrafa vendida aqui tem 40%, contra 47% do Beefeater.
- Negroni, Martini ou zimbro bem na frente: Tanqueray. Custa um pouco mais por dose que os dois vizinhos, coisa de um décimo.
- Gin-tônica fresca, com pepino: Hendrick's. Quase o dobro da dose do Beefeater.
- Para quem já conhece o gin clássico e quer chá e cítrico japonês: Roku. A dose mais cara da lista, numa garrafa com uma dose a menos.
A conta de cada um, garrafa dividida por doses de 50 ml, está na comanda logo acima. O texto daqui para baixo explica de onde vem cada diferença.
O que todo gin precisa ter
Gin é álcool neutro perfumado com plantas. A planta que não pode faltar é o zimbro (uma frutinha azulada, de cheiro parecido com pinho). Sem zimbro na frente, a bebida não pode se chamar gin. O resto, que o mercado chama de botânicos, é escolha de cada marca: sementes, raízes, cascas de fruta, flores, folhas.
Os cinco desta página têm zimbro. O que muda é quanta coisa vem junto e em que momento cada ingrediente entra. E é aí que o preço começa a fazer sentido, ou deixa de fazer.
Uma coisa que o gin não tem: idade. Não há barril nem número de anos no rótulo, como no whisky. O gin sai do alambique, recebe água para acertar o teor e vai para a garrafa. Por isso a comparação aqui não passa por “mais velho, mais caro”. Passa pela receita e pelo jeito de fazer.
London Dry, a regra que a etiqueta não mostra
“London Dry” não quer dizer feito em Londres. É uma regra de fabricação, e uma das poucas expressões de rótulo de gin com regra de verdade por trás. Ela pede três coisas: o sabor vem todo da destilação, nada de aroma ou corante depois dela (só água), e praticamente nenhum açúcar. “Dry”, ali, é seco no sentido de sem açúcar. Não é mais forte nem mais amargo.
Beefeater, Bombay e Tanqueray são London Dry. Hendrick's e Roku, não. E nenhum dos dois é gin “de segunda” por isso. O Hendrick's não pode usar a expressão porque recebe pepino e rosa depois da destilação, que é exatamente o passo que a regra proíbe. O Roku é japonês e prefere se apresentar como gin artesanal, com cada botânico tratado do seu jeito antes de tudo ser juntado.
O apelido que o mercado dá a esse segundo grupo é “contemporâneo”. Essa palavra não tem regra nenhuma. Serve para dizer que, no copo, outros ingredientes dividem o palco com o zimbro.
Para quem olha a conta, a divisão é útil por outro motivo: ela separa os preços. Os três London Dry ficaram no mesmo degrau. Os dois contemporâneos ficaram no de cima.
O degrau de baixo, gin por gin
Beefeater: a receita mais aberta
De todas as marcas da lista, a Beefeater é a que mais conta o que vai dentro. São nove botânicos, e ela nomeia todos: zimbro, semente de coentro, casca de limão, casca de laranja de Sevilha, amêndoa, raiz de íris, alcaçuz, semente e raiz de angélica. Eles passam 24 horas de molho no álcool antes de destilar.
Duas cascas cítricas numa lista de nove explicam o perfil: zimbro na frente, limão e laranja logo atrás. E o endereço é Londres mesmo. A destilação acontece na cidade, com uma receita de 1863.
Pela fama, é o gin “básico”, o que todo bar tem. Pelo rótulo brasileiro, tem 47% de álcool, mais que muito gin de prateleira. E neste mês teve a dose mais barata dos cinco.
Bombay Sapphire: mesmo preço, outro método
A dose do Bombay ficou colada na do Beefeater, com diferença de centavos. O que separa os dois é o método e o teor.
No Bombay, os botânicos não ficam de molho no álcool. Ficam em cestos, acima do líquido, e é o vapor que passa por eles e leva o aroma. A marca chama isso de infusão a vapor. São dez botânicos, mas a página do produto nomeia só alguns, entre eles a cubeba de Java (uma pimenta da Indonésia) e os grãos-do-paraíso (uma semente picante, parente do gengibre).
E o teor: a garrafa vendida no Brasil tem 40%. Nos Estados Unidos, o mesmo rótulo sai com 47%. Ah, e o azul é do vidro. O gin é transparente.
Tanqueray: o zimbro na frente
O Tanqueray vai na direção contrária à de uma lista longa. São quatro botânicos: zimbro, semente de coentro, raiz de angélica e alcaçuz. A marca fala em quatro destilações e descreve o resultado como zimbro intenso, um lado de erva e final floral.
A garrafa de 750 ml vendida aqui tem 47,3%, o teor mais alto da lista. Mais álcool não faz gin melhor. Faz o gin continuar aparecendo depois que a tônica, o vermute ou o Campari entram no copo. Daí a fama do Tanqueray nos drinks clássicos.
Neste mês, a dose dele saiu um pouco acima da dos dois vizinhos. Coisa de um décimo. É o menor “a mais” desta página, e o mais fácil de justificar para quem faz Negroni.
O degrau de cima, o que se paga
Hendrick's: o que entra depois
O Hendrick's é escocês, de Girvan. A receita tem onze botânicos (entre eles camomila, flor de sabugueiro e milefólio, uma erva de flor miúda) e passa por dois alambiques bem diferentes. No mais antigo, de 1860, os botânicos dormem no álcool antes de destilar. No outro, de 1948, ficam num cesto e quem passa por eles é o vapor. A marca junta os dois resultados e, só depois, acrescenta rosa búlgara e pepino. Os lotes são de 500 litros por vez.
É esse último passo que se paga. A dose do Hendrick's ficou quase no dobro da do Beefeater. O que ela compra é um perfil fresco e floral, que não existe nos três London Dry.
A marca publica a gin-tônica dela: 50 ml de gin, 150 ml de tônica, copo alto com gelo e três rodelas finas de pepino. Pepino, e não limão, é o que deixa a rosa e o próprio pepino do gin aparecerem.
Roku: o Japão em seis botânicos
O Roku é da Suntory, de Osaka. O nome quer dizer “seis” em japonês, e isso confunde muita gente: ele não leva seis botânicos. Leva 14. Seis são japoneses (flor e folha de cerejeira, dois chás verdes chamados sencha e gyokuro, a pimenta sansho e a casca de yuzu, um cítrico japonês). Os outros oito são os tradicionais de qualquer gin, com o zimbro no centro.
A Suntory descreve flor de cerejeira e chá verde no aroma, yuzu na boca e a pimenta no final. E sugere a gin-tônica com uma fatia de gengibre.
É a dose mais cara desta página, um pouco acima da do Hendrick's e mais que o dobro da do Beefeater. E a garrafa tem 700 ml, uma dose a menos que as outras quatro. Quem compara só o preço da etiqueta erra a conta duas vezes.
A carta, da dose mais barata à mais cara
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Beefeater London DryR$ 5,19 a dose
London Dry, 750 ml, 47%. A dose mais barata da lista, com os nove botânicos nomeados pela marca.
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Bombay SapphireR$ 5,22 a dose
London Dry, 750 ml, 40%. O mesmo preço do Beefeater por dose, com menos álcool.
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Tanqueray London DryR$ 5,80 a dose
London Dry, 750 ml, 47,3%. Negroni, Martini ou zimbro bem na frente. Um décimo a mais na dose.
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Hendrick'sR$ 9,91 a dose
gin, não London Dry, 750 ml, 44%. Gin-tônica fresca, com pepino. Quase o dobro da dose do Beefeater.
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Roku GinR$ 11,42 a dose
gin japonês, 700 ml, 43%. Chá e cítrico japonês. A dose mais cara, numa garrafa com uma dose a menos.
O teor muda a receita, não a conta
Os cinco têm teores diferentes: 40% no Bombay, 43% no Roku, 44% no Hendrick's, 47% no Beefeater, 47,3% no Tanqueray. A comanda divide todos pela mesma dose de 50 ml, e é assim que tem que ser. A dose é o que você serve.
O que o teor muda é a receita do copo. As próprias marcas mostram isso. O Bombay, com 40%, sugere uma parte de gin para duas de tônica. O Beefeater, com 47%, fala em duas ou três partes de tônica. O Hendrick's, com 44%, usa três. Gin mais forte pede mais tônica para chegar a um copo equilibrado.
A gente não trataria o teor alto como vantagem de preço. Com 47%, a mesma dose de 50 ml põe mais álcool no copo do que com 40%. Se o drink ficou forte demais, a saída é mais tônica e mais gelo, não mais gin.
Onde o dinheiro some
O dobro do Hendrick's e do Roku só aparece quando o drink deixa o gin aparecer. Em três situações comuns, ele some.
Tônica aromatizada. Tônica de frutas vermelhas, de pepino, de flor. Ela traz o próprio perfume e cobre o que o gin caro tinha de diferente. Com tônica assim, qualquer um dos três London Dry cumpre o papel pela metade do preço da dose.
Negroni. Partes iguais de gin, vermute e Campari. O Campari é amargo e marcante, e o vermute é doce. A Suntory sugere o Roku no Negroni, mas o chá e a cerejeira têm pouca chance ali. Num drink assim, o gin precisa ter força e zimbro, e o Tanqueray foi feito para isso.
Copo para muita gente. Festa, churrasco, jarra de gin-tônica. Ninguém vai parar para procurar a rosa. Os três London Dry resolvem, e o Beefeater e o Bombay resolvem pela menor dose.
Onde o dinheiro aparece: na gin-tônica simples, tônica neutra, muito gelo e a guarnição que a marca indica. Pepino no Hendrick's, gengibre no Roku. É nesse copo que vale a pena fazer o teste em casa.
A medida do bar de casa
A conta desta página parte de uma dose de 50 ml por copo. Em casa, sem medidor, a mão costuma pesar, e o gin vira o dobro da dose sem ninguém perceber. Um dosador de bar resolve o problema da conta e o da noite. Cada copo fica com a força que a receita da marca pensou, e a garrafa dura o que a comanda diz que ela dura.
Gelo em quantidade também faz parte da receita. Copo cheio de gelo derrete mais devagar do que copo com duas pedras, e o drink não aguado continua bom até o fim. Com isso, ninguém precisa “reforçar” o gin no meio do copo.
E a regra de sempre: água entre um copo e outro, comida na mesa, e quem vai dirigir não bebe.
Os detalhes, item a item
O que cada marca publica, e o que vimos no anúncio.
| Beefeater London DryBeefeater | Bombay SapphireBombay Sapphire | Tanqueray London DryTanqueray | Hendrick'sHendrick's | Roku GinRoku (Suntory) | |
|---|---|---|---|---|---|
| Dose de 50 ml | R$ 5,19 | R$ 5,22 | R$ 5,80 | R$ 9,91 | R$ 11,42 |
| Estilo | London Dry | London Dry | London Dry | gin, não London Dry | gin japonês |
| Teor | 47% | 40% | 47,3% | 44% | 43% |
| Garrafa | 750 ml, 15 doses | 750 ml, 15 doses | 750 ml, 15 doses | 750 ml, 15 doses | 700 ml, 14 doses |
| Botânicos | nove | dez | quatro | onze, mais rosa e pepino | 14, seis japoneses |
| Onde é feito | Londres, Inglaterra | Laverstoke Mill, Inglaterra | Reino Unido | Girvan, Escócia | Osaka, Japão |
| Garrafa em 17/10 | R$ 77,90 | R$ 78,33 | R$ 86,98 | R$ 148,64 | R$ 159,85 |
O que as marcas deixam em branco
Nenhuma das cinco publica proporções nem a fórmula completa. Isso é o normal no gin, e não é motivo para desconfiar de nenhuma.
O Bombay é o que mais deixa de fora: fala em dez botânicos e, na página do produto, não lista todos. O Tanqueray tem uma história de “amadurecimento” que circula em loja e que a marca não confirma; gin não envelhece em barril, e o Tanqueray não é exceção. O Hendrick's muda de teor conforme o país. A garrafa à venda aqui traz 44%, com o rótulo em “88 Proof”, que é como os americanos escrevem 44%. Em outros mercados, o mesmo gin aparece com 41,4%.
Na prateleira
O mesmo nome cobre garrafas diferentes, e é aí que a conta mais erra.
- Beefeater Pink e Beefeater 24 são outros gins. O desta página é o London Dry.
- Bombay Dry é outro gin da marca, com oito botânicos.
- Roku existe com 47%, a versão japonesa. A que chega ao Brasil é a de 43%.
- Hendrick's tem edições como Neptunia e Flora Adora, e kits com taça. O clássico é o desta página.
- Tanqueray tem outro teor em outros países. A garrafa de 750 ml vendida aqui é a de 47,3%.
Em todos os casos, olhe o volume. Quatro são de 750 ml; o Roku é de 700. Se a loja mostrar o de 1 litro de algum deles, refaça a conta: o litro rende 20 doses.
Dúvidas rápidas
Contemporâneo é melhor que London Dry? Não. São dois jeitos de fazer gin. O London Dry segue uma regra; o contemporâneo é apelido, sem regra. O preço maior dos dois contemporâneos desta lista vem da receita, não da categoria.
Precisa de tônica cara? Não. Para enxergar a diferença entre os cinco, prefira tônica neutra, sem sabor. A marca da tônica muda menos o resultado do que o sabor dela.
London Dry é mais forte? Não necessariamente. O Bombay é London Dry e tem 40%, o menor teor da lista.
Qual é o melhor dos cinco? Depende do copo. Esta página não faz ranking: o mesmo Roku que tem razão de ser numa gin-tônica calma vira desperdício numa jarra de festa.
A escolha é sua
Antes de pegar a garrafa, decida o copo. Gin-tônica para muita gente, com tônica de sabor, pede um dos três London Dry, e entre eles o Beefeater e o Bombay saem pela menor dose. Negroni e Martini pedem o Tanqueray. A gin-tônica simples, de noite calma, com tônica neutra e a guarnição certa, é o único copo em que o dobro do Hendrick's e do Roku aparece. Se esse não é o seu copo, a conta diz para ficar no andar de baixo.
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